Viver

No caminho com Maiakovski

20/05/2013 10h23

 No caminho com Maiakovski -  Eduardo Alves da Costa

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que uma dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua, e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski…

Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso. Porque não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho meu emprego.
Também não me importei.
Agora estão me levando.
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém.
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898 – 1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Martin Niemoller - Símbolo de resistência aos nazistas, 1933.

Primeiro eles roubaram nos sinais,
mas não fui eu a vítima;
Depois incendiaram os onibus,
mas eu não estava neles;
Depois fecharam as ruas,
onde eu não moro;
Fecharam então o portão da favela,
que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança,
que não era meu filho…

Cláudio Humberto, em Fevereiro de 2007

O que outros disseram, foi depois de ler Maiakovski.
Incrível é que após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados,
inertes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes,
que vampirizam o erário, aniquilam as instituições,
e deixam nos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio:
porque a palavra, há muito se tornou inútil…
Até quando ?...

Recolhido por e-mail. Autor desconhecido.




   

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